Mudas Pré-Brotadas: Como fazer um bom planejamento de plantio?

Confira.

  • 4/8/2020 13:56
  • Ester Agroindustrial
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Agosto chegou e com ele chega também a hora das usinas, que vão renovar seus canaviais adotando o sistema de Plantio de Meiosi (Método Inter-rotacional Ocorrendo Simultaneamente) com o uso MPB (Mudas Pré-brotadas), se prepararem para as operações que ocorrem entre julho e novembro.  

Embora bastante recomendado pelos ganhos como menor custo operacional, aceleração da introdução de novas variedades, maior sanidade e volume de mudas, operá-lo não é tão simples quanto parece. Isto porque, muito além de definir quais serão as áreas e as variedades que serão alocadas, o plantio de MPB exige estrutura mão de obra, maquinário, adubação e irrigação e muito, muito planejamento.

O plantio de MPB é relativamente recente. Teve maior expansão no setor a partir de 2015. E mesmo com grupos sucroenergéticos mais evoluídos na produção de mudas, com grandes biofábricas próprias, ainda falta para grande parte destas companhias, expertise na operação.

O plantio de MPB é relativamente recente. Teve maior expansão no setor a partir de 2015 . Mas. 2. Desse modo. Mas. Mas. 4. Mas. 7. Mas.
De acordo com Efraim Albrecht, responsável pela área operacional da Agricef, empresa fabricante das transplantadoras de mudas Absoluta e Compacta (clique e confira mais detalhes da máquina) e prestadora de serviços especializada em plantio de MPB, por ser uma operação relativamente nova, não há ainda uma experiência tão grande por parte de usinas e produtores.

"É uma operação diferente das que o setor está acostumado. Muitas usinas estão fazendo seus próprios viveiros e aprendendo a cada ano. No entanto, como é algo recente, muitas unidades ainda não tem uma equipe capacitada para a operação e não conseguem, muitas vezes, fazer um planejamento assertivo, garantindo a qualidade da operação", adiciona Albrecht.

Durante os seus oito anos de experiência com plantio de MPB, Henrique Pigatto Rodrigues, gerente de Operações de Campo da Agricef, afirma que os 5 erros mais comuns cometidos pelas unidades são:

1) Atraso na escolha da área em que será realizado o plantio de MPB
2) Preparo inadequado da área, pois o plantio mecanizado de MPB exige que a área seja bem preparada, livre de palha e torrão
3) Não respeitar o período de carência de herbicida ou seleção de molécula errada
"As mudas pré-brotadas são mais sensíveis a algumas moléculas de herbicidas quando comparadas ao plantio convencional. Sendo assim, a utilização de uma molécula de herbicida inadequada pode causar fitotoxidade na muda ocasionando o travamento. Isto é, a interrupção do crescimento adequado ou até mesmo morte de mudas", explica o gerente de Operações de Campo da Agricef.
4) Mau dimensionamento da estrutura de irrigação
Segundo Rodrigues, a muda de cana pré-brotada exige uma irrigação de 8 a 10 litros de água por metro linear logo após o plantio, sendo que em períodos sem chuva esse mesmo volume de água deve ser aplicado em intervalos de 3 a 5 dias até o crescimento de raiz e pegamento das mudas que ocorre, em média, de 20 a 30 dias após plantio. Ou seja, em períodos sem chuva pode ser necessário a aplicação de 3 a 6 lâminas de irrigação em uma área plantada com MPB.
5) Fazer o plantio de mudas com substrato seco
"É muito comum observarmos mudas sendo transplantadas da bandeja no campo com substrato seco. Uma vez que esse erro é cometido, é preciso aplicar um volume de água no solo bem maior do que o normal para o substrato seco poder absorver água do solo", acrescenta Rodrigues.

Planejamento em detalhes
Para não cometer nenhum dos erros listados, de acordo com o responsável pela área operacional da Agricef, é preciso saber fazer um bom planejamento. E um bom planejamento exige maior detalhamento das informações.

"Como diz a expressão de Júlio Cesar é dividir para conquistar. Ou seja, se olharmos o plantio de MPB, uma grande operação composta por várias etapas, como uma coisa só, não vamos conseguir fazer um bom planejamento. Além de estratificar as etapas, deve-se ter uma definição clara da meta", explica Albrecht.
 

Muitas vezes, ao olhar o plantio de MPB, muitas usinas ou produtores não sabem por onde começar. É aí que muitas vezes se deixa de planejar ou faz-se um planejamento macro. "A operação começa sem se considerar, por exemplo, ter as mudas com substratos bem encharcados. Ou mesmo sem considerar a logística de insumos e, quando chega naquela etapa que não foi considerada no planejamento, há uma limitação do processo."

Qualidade da operação, redução de custos, segurança e eficiência são as premissas que devem ser consideradas no planejamento de plantio das mudas pré-brotadas. "O segredo é dividir esse processo para identificar os problemas menores. Muitas vezes estes não são identificados. Tratando os problemas menores e específicos, é mais fácil entregar o que foi planejado", diz.

Passo a passo: do plantio ao pegamento da MPB
Como o plantio de MPB evolve diversas etapas, desde a recepção da muda até o seu efetivo plantio, irrigação e pegamento. O primeiro passo é definir as metas da unidade, ou seja, quantos hectares serão plantados com MPB e em qual período a operação será realizada.

"Quando falamos em Meiosi, os plantios de MPB se concentram a partir de julho até novembro. No entanto, a maior parte se dá no mês de setembro. Isso porque em setembro é um período de melhor condição para a multiplicação da cana, rendendo em maior número de gemas para a desdobra", explica Albrecht.

O segundo passo é estratificar as metas das três etapas: preparo de solo (realizada pela própria usina na maioria das vezes), plantio e irrigação, definindo como as operações irão ocorrer ao longo dos meses, semanas e dias 

Isso pronto, o terceiro passo é definir qual será a estrutura necessária para a operação que envolve o plantio da muda e a irrigação. No caso da Agricef, que opera projetos de plantio de MPB para usinas sucroenergéticas e produtores, é nesta etapa que a empresa faz a definição sobre a seleção e contratação de equipamentos, da mão de obra que será necessária incorporar ao que a unidade já dispõe, além de outros detalhes. 


"A Agricef dispõe de uma equipe capacitada para realizar a operação completa de plantio, mas faz toda a operação integrada e de acordo com a estrutura de cada unidade. Levamos toda a estrutura de plantio, desde a mão de obra, que operará nossas transplantadoras de muda, tratores e equipamentos, que deverão atender as normas de segurança da usina cliente, até a estrutura de irrigação. Também dispomos de peças de máquinas para realizar quaisquer manutenções que sejam necessárias durante o processo", explica responsável pela área operacional da companhia.

É neste momento também que se definem quais serão configurações das transplantadoras que irão realizar o serviço de plantio de MPB. "Com a nossa máquina conseguimos atender plantios de duas linhas de 0,90 cm, duas linhas de 1,5 m ou apenas uma linha central", adiciona Albrecht.
A primeira etapa diz respeito a recepção e armazenamento das mudas, quando é definida onde será feita esta recepção e como será realizado o controle de recebimento das MPBs. Em casos onde as mudas não estão na área de plantio (fazenda/talhão), é definido quem fica responsável pela manutenção das mudas antes do plantio (irrigação e poda) e quem fará a logística dessas mudas do local de recebimento (viveiro principal) até a área de plantio.
 

Na etapa dois se faz a checagem das mudas e seus substratos. É preciso que o substrato esteja bem encharcado antes de levar as mudas para o plantio. A etapa três é a logística das MPBs para o abastecimento da transplantadora.

"No nosso caso, como prestamos serviço, nas próximas etapas 4 e 5, que correspondem ao transporte e abastecimento dos insumos como adubos e defensivos, fica definido quem serão os responsáveis pelo fornecimento e logística dos insumos da usina até o campo. Definimos também com a usina quem fará o abastecimento dos insumos no implemento dentro do talhão", explica o responsável pela área operacional da Agricef.

As etapas seguintes, 6, 7 e 8 referem-se ao plantio, irrigação e replantio, respectivamente. O plantio é realizado pela Agricef com uma máquina desenvolvida pela própria companhia, que tem um rendimento operacional de cerca de 3 hectares por turno, com um espaçamento entre mudas de 50 a 70 cm a uma profundidade de 5 a 10 cm de solo cobrindo com substrato.  


"Durante a operação de plantio precisamos garantir que essa muda vai ser plantada da maneira que está sendo especificado, ou seja, no espaçamento, na profundidade e na compactação correta do solo. Por último, temos que garantir que a irrigação seja feita no momento certo. Esse é um dos maiores desafios", destaca Albrecht.

O diferencial em se terceirizar esse plantio, de acordo com ele, é ter uma operação realizada com equipe capacitada que terá 100% da atenção focada em cada detalhe da atividade.

"Sempre buscamos redução de custos e economia de processos. Nem sempre a usina tem uma equipe de pessoas e maquinário disponível para realizar esta operação. Com a nossa experiência, conseguimos analisar todo o processo e realizar um bom planejamento. O maior ganho que se tem com um planejamento e execução bem feitos, é conseguir fazer uma entrega segundo o prazo e o custo definido.


A Usina Atena fez uso de MPB para o plantio na safra 2019/20 em cerca de 250 ha, entre rua mãe de Meiosi e plantio "fechado". Todas as mudas utilizadas na unidade hoje são compradas de terceiros e a operação é realizada com a transplantadora de mudas Absoluta.
Segundo Cassio Paggiaro, diretor superintendente da Atena, a intenção inicial era utilizar toda a MPB para plantio das ruas mães de meiosi, que hoje corresponde por 60% do plantio total. No entanto, hoje a unidade também planta as ruas mães de meiosi usando toletes advindos do plantio de viveiros no ano anterior por meio de MPB.

"Desta forma aliviamos a necessidade de molhamento dos plantios e continuamos a utilizar mudas sadias. Nosso plantio de MPB é feito 100% como nossa equipe interna com equipamento de plantio mecanizado", afirma.

Além da tecnologia para o plantio das mudas de MPB, Paggiaro conta que contou com um trabalho promissor em parceria com a Agricef na desdobra manual das ruas mães de Meiosi.

"Trabalhamos o planejamento e o ganho de rendimento no plantio manual da desdobra da meiosi, com a finalidade de plantar mais hectares com mesmo pessoal, por meio de metodologia própria. Esta interação é muito bem vinda e importante para pularmos etapas de aprendizado, utilizando manejo consagrado", acrescenta.


A Usina Ester, que fez na safra 2019/20 cerca de 20% do seu plantio em sistema meiosi, além de comprar 100% das mudas, também terceiriza todo o serviço de plantio de MPB.  


De acordo com Cristiano Ortigosa Peraceli, gerente Agrícola da Ester Agroindustrial, a vantagem da contratação é ter o melhor custo, qualidade na operação e garantia de pegamento.

"A negociação na compra das mudas, a expertise de quem planta e a garantia de incremento de TCH são as vantagens. Assim tenho meu peace of mind e não corro riscos com pegamento. O rendimento do nosso plantio, feito mecanicamente, depende do número de plantadoras e turnos trabalhados, mas gira em torno de 10 ha de linha mãe/dia com dois turnos."  

A Usina Alta Mogiana, desde o início do uso de MPB, também optou por comprar as mudas de produtores especializados ao invés de produzi-las. Hoje, a usina realiza plantio de meiosi para desdobra em 40% de sua área.
A diferença é que a companhia faz todo o seu plantio de forma semi-mecanizada, com equipe própria, utilizando a transplantadora de duas linhas, a Compacta, fabricada pela Agricef.

"A vantagem de se ter uma equipe especializada realizando essa operação é justamente obter-se o rendimento e a qualidade de plantio muito superior ao de uma equipe comum. Quando somamos isso à uma irrigação de qualidade, temos como resultado uma taxa de pegamento das mudas muito elevada. Além disso, como trata-se de uma atividade sazonal, a equipe pode desenvolver outras atividades no restante do ano", afirma Matheus Palazzo Barbosa, supervisor de Produção da Alta Mogiana 

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