INCÊNDIOS CRIMINOSOS EM CANAVIAIS INTERFEREM NA PRODUÇÃO DA ESTER

ESTER Agroindustrial tem programa de gerenciamento, controle e combate a incêndios. A colheita da cana queimada altera o processo de produção e causa prejuízo na qualidade do produto produzido.

  • 27/7/2020 11:08
  • Ester Agroindustrial
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Os incêndios criminosos, que acontecem com frequência na região, interferem na produção ESTER. A informação foi passada pelo Gerente Agrícola da empresa, Cristiano Peraceli.  

Diferente do que acontecia no passado, quando as queimadas controladas eram usadas durante o período da safra e o corte era feito de maneira manual, hoje, a colheita é feita quase 100% de forma mecanizada e sem o uso da queima. Com essa mudança na forma de colher, o método utilizado antes não é mais necessário.  "Essa já é a sexta safra que a ESTER colhe mais de 98% do seu canavial de forma mecanizada, através de colhedoras e, de 2% a 3%, variam um pouco em cada safra, com o trabalho de pessoas, ou seja, a colheita manual", explicou Peraceli. 

Mas, mesmo nos casos em que a colheita ainda é feita de forma manual, o uso da queima controlada, como era antigamente chamado o uso do fogo, não é mais permitido. "Em ambos os sistemas de colheita, a cana deve ser colhida de maneira crua. Já faz seis anos, praticamente, que a ESTER, a exemplo do setor sucroalcooleiro, não usa mais da queima como uma prática facilitadora para a colheita", completou o gerente.

Mudança na produção
Existem vários motivos para a mudança do sistema de colheita nos canaviais paulistas durante os últimos anos. Entre eles, está o protocolo chamado de Etanol Mais Verde. Esse protocolo, criado pelo Governo do Estado de São Paulo, que é seguido pelos produtores signatários do acordo, definem práticas sustentáveis a serem adotadas pelas usinas para a produção de etanol. Entre os itens desse protocolo está a eliminação total da queima durante o processo de colheita.
"Estamos inseridos dentro de um protocolo agroambiental, onde nós temos uma certificação do Governo do Estado", explicou Peraceli.
Além desse protocolo, outro fator é a questão industrial. "O processo (industrial), como um todo, está configurado para receber cana crua. A cana crua traz menos contaminação para o processo industrial, principalmente, para destilação e para a fermentação, onde os custos se elevam quando você entrega uma cana queimada".

Incêndios criminosos
Com a mudança de postura adotada durante o processo produtivo, agora, todo incêndio que acaba acontecendo em canavial é considerado criminoso. Inclusive, sempre que esses incêndios acontecem, eles são registrados através de um Boletim de Ocorrência (B.O.) na Delegacia.
Esses incêndios, segundo o gerente, em nada auxiliam ou trazem qualquer tipo de benefício para a produção. Pelo contrário, Cristiano destaca que isso só interfere. "O incêndio criminoso nos prejudica porque diminui nossa produtividade e aumenta o nosso custo e, de uma certa maneira, temos que gastar mais para que não tenhamos prejuízo na qualidade do produto final.
Hoje, o Etanol que a ESTER produz é considerado um dos melhores do Brasil. O Etanol neutro, o Destilado alcoólico e o industrial, são usados em empresas de perfumaria e de bebidas, e está entre os principais produtos produzidos em Cosmópolis.
"Então, prezamos muito pela qualidade. E, quando entra uma cana queimada, temos que gastar mais para não afetar essa qualidade", explicou o gerente.
Os desafios para que esses incêndios não aconteçam são grandes. Os locais utilizados para o plantio de cana pela ESTER estão próximos a áreas urbanas ou cortados cercados por rodovias. Com isso, a atenção deve ser redobrada e o combate feito a qualquer indício de fogo.
"Nossas áreas possuem acessos ao longo das principais vias, estradas secundárias ou vicinais não asfaltadas, principalmente, próximas às cidades. E isso acaba sofrendo muito com a ação de pessoas que descartam entulho e lixo. Somada à condição climática, onde em anos de longos períodos sem nenhuma chuva, existe uma facilidade maior de se iniciar um foco de incêndio nesse tipo de material, que está depositado próximo ao canavial.
Outro fator ao longo das rodovias, que cruzam as áreas onde temos cana, o acúmulo de mato, facilita o fogo quando é jogada, por exemplo, uma "bituca de cigarro"", reforça Cristiano.

Combate ao incêndio
A empresa conta com um PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS DE INCÊNDIOS EM ÁREAS DE PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR que que tem como objetivo principal gerir o sistema de emergências, analisar os fatores de incêndios (respectivas causas) ocorridos nas áreas de cultivo sob sua responsabilidade, estruturando de maneira sistêmica os recursos e processos, a fim de intensificar as ações e medidas preventivas.
Através de uma Central de Monitoramento (24h por dia), operando um moderno sistema de localização e detecção automática de incêndios (Sintecsys), consegue identificar de forma rápida possíveis focos de incêndio, acionar imediatamente as equipes de combate no campo, dando todas as orientações de coordenadas e localização às equipes de emergência;
Outra medida adotada pela empresa é o manejo inteligente da plantação. A partir de estudos feitos pela Empresa, as áreas próximas de risco, que ficam sempre mais suscetíveis ao fogo, recebem uma variedade de cana que pode ser colhida antes do período mais seco. Assim, o canavial fica menos exposto ao risco de um incêndio criminoso.

Impacto dos incêndios
Além dos impactos causados ao meio ambiente, os incêndios criminosos geram prejuízo para a empresa, reduzindo a quantidade de cana madura a ser produzida e colhida.
Outro item que também interfere na produção é a quebra do planejamento da colheita. Quando uma área é atingida pelo fogo, as equipes de colheita precisam ser remanejadas para aquela área.
Com isso, uma cana que já estava pronta para a colheita precisa aguardar a colheita de uma cana que ainda não estava pronta, mas que sofreu um incêndio criminoso.
"Com isso, temos uma perda de 10% a 20% da produtividade desse canavial que ainda não tinha atingido o seu ponto de colheita, perdas na extração do açúcar e do álcool na indústria e consequentemente o prejuízo financeiro ocorre, impactando diretamente nos resultados da empresa," afirma Cristiano.

Fonte: Entrevista realizada para o Jornal Gazeta de Cosmópolis/TV Jaguari


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